Notícias

  • 30/07/2015

    Venda de caminhões cai até 45% em Minas Gerais

    A retração da economia brasileira derrubou a venda de caminhões novos nas concessionárias do Estado. E provocou a queda no consumo de óleo diesel em Minas Gerais, confirmando a forte desaceleração no setor de transporte de cargas, tradicional termômetro da economia, uma vez que reflete o escoamento da produção de praticamente todos os segmentos da indústria e do comércio.

    Na Cardiesel, revenda da marca Mercedes-Benz instalada em Belo Horizonte, as vendas de caminhões zero quilômetro caíram de 40% a 45% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2014. “A situaçãatilde;o está bem complicada e já iniciamos a redução no quadro de funcionários”, lamentou o gerente de vendas da empresa, Antônio Lima.

    Segundo ele, a concessionária já fez três “feirões” neste ano com preços promocionais para tentar aquecer os negócios. Mas, mesmo assim, o resultado não foi capaz de reverter o quadro de retração. “Estamos tentando trabalhar com alguns nichos de mercado, como as vendas no varejo, mas está difícil”, disse.

    Lima explicou que o perfil da economia mineira, com fortes vínculos com a atividade extrativa, ajuda a piorar o quadro, uma vez que o setor é um importante cliente para as concessionárias de caminhões, mas vem atravessando um momento de estagnação, com os preços baixos do minério de ferro inviabilizando projetos e desestimulando novos investimentos.

    Na Treviso, da marca Volvo, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a queda nas vendas no acumulado até junho ante os mesmos meses de 2014 foi de 40%. “Além do mercado ter retraído muito, os negócios estão mais difíceis de serem fechados”, afirmou o diretor Comercial, Clóvis Luiz Lopes.

    Segundo ele, a revendedora não chegou a demitir funcionários ainda, mas teve que fazer adequações, além de ter postergado contratações e investimentos que estavam programados para este ano. Além disso, a Treviso está dando maior atenção para os serviços pós-venda, como forma de agregar valor aos novos negócios e garantir, pelo menos, a demanda por alguns tipos de serviços.

    A situação é semelhante na Deva Veículos, revenda da marca Iveco. A gerente de vendas da concessionária, Marcela Pace Patrus, contou que a redução nas vendas do primeiro semestre foi em torno de 40% frente às de igual intervalo do ano passado. “Tivemos que fazer ajuste no quadro de funcionários em toda a estrutura da concessionária”, explicou.

    A gerente da Deva contou que a concessionária tem feito várias ações para tentar ampliar as vendas, a maioria delas buscando o público do varejo e clientes de setores como a indústria alimentícia, que sentiu menos a crise. Mesmo assim, a empresa achatou as margens de lucro na tentativa de não perder mais negócios.

    Diesel

    A retração do mercado de caminhões novos também pode ser medida tomando como base o consumo de óleo diesel em Minas. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Estado consumiu 3,360 milhões de metros cúbicos do combustível no primeiro semestre deste ano, contra 3,379 milhões de metros cúbicos no mesmo período de 2014, o que corresponde a uma queda de 0,6%.

    Apesar de o recuo ser aparentemente pequeno, o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Vander Francisco Costa, explicou que a base de comparação é fraca, tendo em vista que 2014 já foi um ano ruim em termos de consumo, uma vez que as transportadoras já amargavam os reflexos da retração da economia. “Se caiu o consumo de óleo diesel, tem menos carga sendo transportada e menos caminhão sendo vendido”, pontuou.

    Para o presidente da Fetcemg, “o cenário é de retração e não há expectativa de recuperação neste ano”. “Não tem ninguém renovando ou ampliando frota. O movimento que tem é residual e muitos caminhões estão parados”, completou. Conforme Costa, o recuo no volume de cargas transportadas este ano chega pelo menos 8%.

    A situação é tão ruim que, além de conviver com a baixa demanda, as transportadoras não conseguem repassar o aumento dos custos para o preço do frete, sob risco de “perder o trabalho”, o que já está levando algumas empresas a paralisarem as operações e demitir. Só neste ano as demissões já chegam em torno de 20% do que o segmento empregava na mesma época de 2014.

    Montadoras já sentem as conseqüências

    A retração do mercado de caminhões novos atingiu em cheio as vendas das montadoras instaladas em Minas. Tanto a Iveco Latin America, subsidiária da CNH Industrial, compo a Mercedes-Benz registraram forte queda na comercialização deste tipo de veículo nos seis primeiros meses de 2015.

    No caso da Iveco, com planta em Sete Lagoas (região Central), o recuo na primeira metade deste ano ante igual período de 2014 foi de 32,4%. Nesta base de confronto, foram emplacados 4.417 comerciais leves, caminhões e ônibus da montadora, contra 6.537 unidades, 2.120 veículos a menos.

    O quadro é semelhante na Mercedes-Benz, com unidade em Juiz de Fora (Zona da Mata). As vendas de caminhões da marca no País caíram 43,1% entre janeiro e junho em relação aos seis primeiros meses do exercício passado. Os emplacamentos atingiram 9.569 veículos contra 16.827 unidades de janeiro a junho de 2014.

     

    De acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção nacional de caminhões, por sua vez, tombou 45,2% nos seis primeiros meses de 2015 em relação ao mesmo semestre do ano passado. No período, foram fabricadas 41.630 unidades.