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  • 20/07/2015

    Renovação da frota paulistana sinaliza início de recuperação

    As montadoras esperam que a renovação da frota paulistana de ônibus, cuja licitação deve ocorrer até novembro, se converta em encomendas já em 2015. A demanda é vista pelos fabricantes como um início de retomada em meio ao cenário de forte retração do setor.

    “No final deste ano, já deveremos ter um volume de compras para a frota paulistana. Estamos nos preparando há meses para entrar nesta concorrência”, afirmou ao DCI o diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil, Silvio Munhoz.

    A renovação da frota da capital paulista irá priorizar veículos maiores, com capacidade ampliada de transporte de passageiros. A estimativa do mercado é que a licitação, em sua totalidade, gere uma demanda de cerca de 2,7 mil ônibus.

    A Prefeitura de São Paulo já sinalizou, inclusive, que o retorno dos concessionários deve cair, abrindo espaço para a demanda de veículos mais eficientes.

    “Temos trabalhado no desenvolvimento de novos chassis e motores, como o biometano, para oferecer a melhor solução às empresas”, destaca o executivo da Scania.

    Para a Mercedes-Benz, que possui quase 70% de participação no segmento urbano, a renovação da frota paulistana irá representar um volume importante para o setor. “As compras devem começar ainda em dezembro, mas no ano que vem serão ainda maiores”, afirma o diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes, Walter Barbosa.

    A renovação deve ser dividida, em linhas gerais, em três áreas: veículos articulados (corredores); modelos médios; e uma categoria abaixo (em torno de 11 metros de comprimento), que deve substituir os micro-ônibus.

    “São Paulo é uma referência nacional e as mudanças adotadas na cidade podem influenciar a demanda em outras metrópoles do País”, afirma o diretor de vendas da MAN Latin America (fabricante dos ônibus Volkswagen), Antonio Cammarosano.

    No entanto, o consenso entre as montadoras é de que o ano será de retração. “A queda veio muito mais acentuada do que o mercado esperava”, diz Cammarosano.

    A estimativa do setor é que as vendas de ônibus alcancem cerca de 20 mil unidades em 2015, uma queda de quase 30% em relação ao ano passado. “Com a economia fraca e o crédito mais caro, fica difícil renovar a frota”, acrescenta o executivo da MAN.

    Rodoviário

    O segmento rodoviário também pode render negócios depois que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no final de junho, regulamentação da atividade de transporte interestadual e internacional de passageiros, que passou a operar sob o regime de autorização. A decisão era amplamente aguardada pelas concessionárias, que vinham segurando as compras desde o ano passado.

    “Agora, a expectativa é que este importante segmento volte a render frutos. Havia uma demanda reprimida em rodoviário”, avalia o diretor da Scania.

    Com participação estimada entre 15% e 18% neste negócio, a montadora sueca acredita que as vendas devem se tornar mais intensas principalmente no começo do próximo ano.

    O segmento rodoviário – que também pode incluir fretamento – é o mais rentável para as montadoras. No entanto, a demora na regulamentação da atividade de transporte interestadual fez as vendas caírem quase 49% no acumulado deste ano.

    Segundo Barbosa, a decisão da ANTT deve resultar em uma demanda de 6 mil a 8 mil veículos até 2018. Isso porque a idade média exigida da frota caiu de 8,7 anos para 5 anos. “Havia uma demanda represada.”

    Em meio às expectativas do segmento rodoviário, o negócio de fretamento se mantém enfraquecido. “Com o desaquecimento da economia e o aumento do desemprego, as vendas de ônibus fretados tiveram uma redução drástica de mais de 50%”, explica Cammarosano.

     

    Ainda assim, a expectativa é que no ano que vem a indústria de ônibus já comece a esboçar sinais de crescimento novamente. “O modelo de transporte predominante no Brasil favorece este mercado, que já é o terceiro maior do mundo. Ainda há muito espaço para crescer”, destaca o diretor da Mercedes.